Review | The Mound: Omen of Cthulhu desperdiça uma das melhores ideias do terror cooperativo

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Confira o nosso review completo de The Mound: Omen of Cthulhu

 Os jogos cooperativos continuam conquistando espaço entre os jogadores, principalmente aqueles que conseguem transformar uma simples sessão entre amigos em momentos memoráveis. Nos últimos anos, diversos títulos apostaram nessa fórmula, misturando exploração, sobrevivência e terror psicológico para criar experiências diferentes. The Mound: Omen of Cthulhu tenta justamente seguir esse caminho ao apresentar uma aventura cooperativa inspirada no universo criado por H.P. Lovecraft.

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 A proposta é, sem dúvida, bastante interessante. Em vez de depender apenas de monstros assustadores ou sustos previsíveis, o jogo utiliza a insanidade como principal mecânica. Conforme a expedição avança, minha percepção da realidade começa a mudar e, consequentemente, a confiança nos próprios companheiros desaparece. Essa ideia cria situações inesperadas e rende alguns dos momentos mais curiosos da experiência.

 Entretanto, boas ideias nem sempre garantem um bom jogo. Depois de passar várias horas explorando a selva amaldiçoada, percebi que The Mound: Omen of Cthulhu apresenta problemas que impedem seu potencial de florescer completamente. Além disso, algumas decisões de design fazem a experiência perder força muito mais rápido do que eu esperava.

 Embora exista diversão em determinados momentos, especialmente quando jogado com amigos, também encontrei limitações importantes no ritmo, na variedade e, principalmente, no desempenho técnico da versão de PlayStation 5 que utilizei durante toda a análise.

 No fim das contas, fiquei com a sensação de estar diante de um projeto extremamente promissor, mas que ainda precisava de mais tempo para amadurecer suas melhores ideias.

Captura de tela nº 0

Uma atmosfera que realmente prende a atenção

 Desde os primeiros minutos, ficou claro para mim que o maior destaque do jogo está na ambientação.

 A selva transmite uma sensação constante de desconforto. Não existe aquele terror baseado apenas em monstros aparecendo na tela. Pelo contrário, boa parte da tensão nasce justamente da dúvida. Em vários momentos, eu simplesmente não sabia se aquilo que estava vendo realmente existia ou fazia parte dos efeitos da insanidade.

 Essa construção funciona muito bem porque o jogo evita entregar respostas imediatamente. Enquanto avanço pela vegetação fechada, escuto sons estranhos, vejo sombras se movimentando e começo a desconfiar até mesmo dos meus próprios sentidos.

 Além disso, a direção artística consegue aproveitar muito bem a inspiração nas obras de Lovecraft sem depender apenas de criaturas gigantescas ou cenas exageradas. O medo surge principalmente através da atmosfera pesada, da sensação constante de isolamento e da impressão de que existe algo observando cada passo da equipe.

 Consequentemente, cada nova expedição começa carregando uma tensão genuína. Mesmo antes dos primeiros confrontos, já existe aquela expectativa de que algo inesperado pode acontecer.

 Infelizmente, essa excelente construção perde parte do impacto conforme as partidas se repetem.

 

O sistema de insanidade é a melhor mecânica do jogo

 Se existe um motivo para conhecer The Mound: Omen of Cthulhu, certamente é seu sistema de insanidade.

 Ao contrário de muitos jogos de terror cooperativo, aqui o verdadeiro inimigo nem sempre está na sua frente. Em diversos momentos, comecei a enxergar criaturas que meus amigos não viam. Logo depois, alguns objetos desapareceram diante dos meus olhos enquanto outros simplesmente surgiam onde antes não existia absolutamente nada.

 Essa mecânica transforma completamente a comunicação entre os jogadores.

 Enquanto um integrante afirma que o caminho está livre, outro pode estar vendo dezenas de monstros bloqueando a passagem. Da mesma forma, alguém pode acreditar que encontrou um aliado, enquanto outro enxerga exatamente o oposto.

 Essa falta de confiança cria situações extremamente divertidas.

 Durante algumas partidas, nossa equipe discutia constantemente porque ninguém sabia qual informação era verdadeira. Em vez de apenas enfrentar inimigos, passamos boa parte do tempo tentando descobrir quem ainda conseguia distinguir realidade e ilusão.

 Além disso, o chat por proximidade contribui bastante para aumentar essa imersão. Quando um integrante se afasta do grupo, sua voz começa a desaparecer naturalmente, aumentando ainda mais a sensação de isolamento.

 Essa combinação entre comunicação limitada, paranoia e alucinações representa, sem dúvida, a identidade mais forte do jogo.

 Entretanto, existe um problema importante.

 Depois de algumas horas, a mecânica deixa de surpreender.

 Como as situações começam a se repetir com frequência, aquele impacto inicial praticamente desaparece. Eu ainda gostava da ideia, porém já conseguia prever boa parte dos eventos, reduzindo bastante o fator surpresa.

Captura de tela nº 1

A cooperação funciona, mas depende totalmente do grupo

 Assim como acontece em outros jogos cooperativos, a experiência muda completamente dependendo das pessoas que estão jogando.

 Quando todos entram na proposta, conversam constantemente e realmente tentam sobreviver juntos, as partidas ficam muito mais interessantes.

 Por outro lado, jogar com desconhecidos reduz bastante o impacto das mecânicas.

 Grande parte da diversão depende justamente das interações entre os participantes. Como consequência, jogadores silenciosos ou equipes sem comunicação acabam eliminando um dos maiores diferenciais da experiência.

 Além disso, o próprio jogo oferece poucos recursos capazes de sustentar o interesse sozinho.

 Em vários momentos, percebi que estava me divertindo mais pelas conversas com meus amigos do que pelas atividades propostas durante as expedições.

 Isso não significa que o gameplay seja ruim.

 Na verdade, significa apenas que ele funciona muito melhor como pano de fundo para momentos sociais do que como principal elemento da experiência.

 Inclusive, acredito que muitas pessoas irão criar boas lembranças jogando durante uma madrugada, conversando no chat enquanto exploram a floresta.

 Entretanto, isso também evidencia outro problema.

 Quando um jogo depende mais das pessoas do que das próprias mecânicas para continuar divertido, sua longevidade naturalmente acaba sendo menor.

 

Visual impressionante, mas um desempenho decepcionante

 Não tenho dúvidas de que The Mound: Omen of Cthulhu chama atenção logo de cara pelo visual.

 A Unreal Engine entrega cenários extremamente detalhados, iluminação de excelente qualidade e uma vegetação bastante convincente. Durante vários momentos, parei apenas para observar a riqueza dos ambientes.

 Além disso, os efeitos de iluminação ajudam bastante na construção da atmosfera. As sombras, a neblina e a forma como a luz atravessa a floresta colaboram para criar um ambiente constantemente ameaçador.

 Entretanto, existe um preço alto por toda essa qualidade gráfica.

 Joguei toda a campanha em um PlayStation 5 padrão e encontrei um desempenho abaixo do esperado.

 O jogo roda limitado a 30 quadros por segundo, algo que já causa estranheza em um título lançado em 2026. Além disso, percebi diversas quedas de desempenho durante momentos mais movimentados, especialmente quando vários efeitos visuais aparecem simultaneamente.

 Infelizmente, essas oscilações prejudicam a fluidez da jogabilidade e diminuem bastante a imersão.

 Em jogos de ação cooperativa, estabilidade costuma ser mais importante do que gráficos extremamente avançados. Por isso, fiquei com a sensação de que a equipe priorizou o impacto visual enquanto deixou a otimização em segundo plano.

 Na prática, esse acaba sendo um dos maiores defeitos de toda a experiência.

Captura de tela nº 3

Gameplay simples não sustenta muitas horas de jogo

 Apesar de toda a criatividade presente no sistema de insanidade, o restante do gameplay não consegue acompanhar o mesmo nível de qualidade. Depois das primeiras expedições, comecei a perceber que a estrutura das partidas muda muito pouco. A rotina praticamente sempre segue o mesmo ciclo: preparar a equipe, entrar na floresta, explorar o mapa, coletar recursos, enfrentar algumas ameaças e retornar ao navio.

 Inicialmente, isso funciona muito bem. Afinal, a atmosfera consegue mascarar a repetição durante as primeiras horas. No entanto, conforme avancei, ficou evidente que o jogo possui pouca variedade para manter o interesse por muito tempo.

 Além disso, os objetivos raramente surpreendem. Em vez de apresentar novas situações constantemente, o jogo reaproveita sua estrutura diversas vezes. Como consequência, eu já sabia exatamente o que esperar depois da terceira ou quarta expedição.

 Esse foi o momento em que percebi uma mudança importante na minha experiência. A tensão começou a diminuir e a curiosidade deu lugar à sensação de estar repetindo tarefas.

 Infelizmente, essa repetição reduz bastante o impacto da excelente ambientação construída no início da campanha.

 

O combate cumpre seu papel, mas falta profundidade

 Outro aspecto que acabou me decepcionando foi o combate.

 Ele não chega a ser ruim, porém também não oferece nada que realmente se destaque dentro do gênero. Os confrontos cumprem sua função, mas passam longe de entregar a intensidade que eu esperava de uma aventura baseada no universo lovecraftiano.

 Além disso, senti falta de uma evolução mais significativa nas mecânicas ao longo da campanha. Depois de entender como os inimigos funcionam, dificilmente aparece alguma novidade capaz de alterar minha forma de jogar.

 Como resultado, os confrontos começam a parecer apenas obstáculos entre um ponto de exploração e outro.

 Da mesma forma, as armas também não trazem diferenças suficientemente marcantes para incentivar novas estratégias. É claro que existem opções distintas para cada integrante da equipe, mas, na prática, elas não transformam completamente a dinâmica das partidas.

 Consequentemente, o combate acaba ficando em segundo plano, enquanto a ambientação continua sendo o verdadeiro protagonista da experiência.

Captura de tela nº 4

 

A progressão não recompensa o jogador como deveria

 Outro ponto que me deixou um pouco frustrado foi o sistema de progressão.

 Existe uma sensação inicial de descoberta bastante interessante. Encontrar novos pontos de partida, desbloquear áreas e preparar cada expedição cria uma expectativa de que o jogo ficará cada vez mais complexo.

 Entretanto, essa evolução acontece de forma lenta e oferece poucas recompensas realmente empolgantes.

 Em diversos momentos, terminei uma expedição sem aquela sensação de ter conquistado algo importante. Pelo contrário, parecia apenas mais uma partida semelhante às anteriores.

 Além disso, a falta de grande variedade de inimigos e situações faz com que essa progressão perca impacto rapidamente.

 Não significa que ela seja mal construída, mas sim que não consegue acompanhar o ritmo das primeiras horas, quando tudo ainda é novidade.

Jogar sozinho definitivamente não é a melhor opção

 Embora seja possível iniciar partidas sem um grupo completo, ficou claro para mim que The Mound: Omen of Cthulhu foi pensado para o cooperativo.

 Grande parte das mecânicas gira em torno da comunicação entre os jogadores. Afinal, o sistema de insanidade funciona justamente porque cada integrante passa a enxergar uma realidade diferente.

 Quando essa interação desaparece, boa parte do charme também vai embora.

 Além disso, a exploração perde dinamismo e a própria atmosfera deixa de provocar a mesma sensação de paranoia.

 Por isso, dificilmente recomendaria este jogo para quem pretende jogar sozinho.

 Por outro lado, grupos de amigos podem encontrar aqui algumas noites bastante divertidas, principalmente se o objetivo for conversar enquanto enfrentam situações inusitadas.

 Nesse caso, a experiência melhora consideravelmente.

Captura de tela nº 2

O custo-benefício ajuda a equilibrar a experiência

 Apesar das críticas que fiz até aqui, existe um fator que pesa positivamente na avaliação.

 O preço.

 Diferentemente de muitos lançamentos atuais, The Mound: Omen of Cthulhu chegou ao mercado com um valor relativamente acessível.

 Esse detalhe muda bastante a forma como enxergo o jogo.

 Se ele fosse vendido pelo preço cheio praticado pelos grandes lançamentos, minha decepção certamente seria maior. Entretanto, por custar menos, consigo compreender melhor sua proposta.

 Além disso, acredito que muitos jogadores poderão aproveitar algumas boas horas de diversão simplesmente pelo aspecto social.

 Nem todo jogo precisa oferecer centenas de horas de conteúdo para valer o investimento.

 Às vezes, reunir alguns amigos durante um fim de semana já justifica a compra.

 Foi exatamente essa sensação que tive.

 As partidas mais divertidas aconteceram quando a conversa entre o grupo era mais importante do que os próprios objetivos da missão.

 Nesse contexto, o jogo funciona muito melhor.

 Por outro lado, quem procura um cooperativo para jogar durante meses provavelmente encontrará opções mais completas no mercado.

Vale a pena comprar The Mound: Omen of Cthulhu?

 Na minha opinião, depende muito da expectativa.

 Se você procura um jogo cooperativo com uma ideia diferente, ótima direção artística e momentos capazes de render boas histórias entre amigos, existe diversão aqui.

 Entretanto, também é importante entrar sabendo que o conteúdo perde força rapidamente.

 Depois de poucas horas, a repetição começa a aparecer com bastante frequência. Além disso, o combate não evolui o suficiente para sustentar partidas prolongadas.

 O desempenho também pesa negativamente.

 Mesmo apresentando gráficos muito bonitos graças à Unreal Engine, jogar a apenas 30 FPS no PlayStation 5, com algumas quedas de desempenho, foi uma experiência decepcionante para um título lançado em 2026.

 Na prática, fiquei com a impressão de que o estúdio encontrou uma excelente ideia, mas ainda não conseguiu desenvolvê-la em todo o seu potencial.

 Espero sinceramente que futuras atualizações consigam expandir o conteúdo e melhorar a otimização, porque a base construída aqui merece continuar evoluindo.

Veredito – 6,5/10

 The Mound: Omen of Cthulhu apresenta uma proposta extremamente criativa ao transformar a insanidade em parte central da jogabilidade. A ambientação é excelente, o visual impressiona e a comunicação entre os jogadores gera momentos genuinamente divertidos.

 Infelizmente, o brilho inicial desaparece mais rápido do que eu esperava. A pouca variedade de objetivos, a repetição das expedições, o combate apenas competente e os problemas de desempenho impedem que o jogo alcance um nível realmente memorável.

 Mesmo assim, não considero a experiência um fracasso.

 Pelo preço cobrado, consigo recomendar o jogo para grupos de amigos que procuram algumas noites de diversão descompromissada. Entretanto, eu teria dificuldade em indicá-lo para quem busca um cooperativo capaz de prender a atenção por dezenas de horas.

 No fim, saí da aventura com sentimentos mistos. Gostei muito da ideia central e da atmosfera construída pelo estúdio, mas esperava um conjunto muito mais consistente para aproveitar todo esse potencial.

Prós

  • Atmosfera inspirada no horror cósmico extremamente envolvente.
  • Sistema de insanidade cria situações únicas entre os jogadores.
  • Visual muito bonito graças à Unreal Engine.
  • Chat por proximidade aumenta bastante a imersão.
  • Funciona bem como experiência casual entre amigos.
  • Preço acessível torna a compra mais interessante.

Contras

  • A repetição aparece depois de poucas expedições.
  • Combate simples e pouco evoluído.
  • Progressão oferece poucas recompensas marcantes.
  • Baixa variedade de situações e objetivos.
  • Desempenho decepcionante no PlayStation 5, limitado a 30 FPS e com quedas de desempenho.
  • Perde grande parte do impacto quando jogado sem um grupo de amigos.

 

Informações adicionais

  •  Sistema onde foi feito a review: PS5

  •  Desenvolvedor: ACE Team, Nacon

  •  Jogadores: 1 – 4

  •  Plataformas disponíveis: PC, PlayStation 5 e Xbox Series X/S

 Agradeço à Nacon por fornecer o código para a produção deste review.

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