Echoes of Aincrad poderia ser um RPG incrível, mas se perde na execução
Echoes of Aincrad tinha tudo para ser o RPG definitivo para quem sempre sonhou em viver dentro de Aincrad. A proposta de criar o próprio personagem, escolher um parceiro, evoluir livremente e enfrentar os desafios do castelo flutuante parecia exatamente aquilo que muitos fãs de Sword Art Online esperavam há anos.
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Entretanto, depois de cerca de 40 horas de jogo, minha impressão foi bem diferente da expectativa inicial. Esperei alguns dias após o lançamento justamente para explorar o máximo possível antes de publicar este review. Dessa forma, consegui experimentar diferentes armas, testar builds, concluir diversas missões e avançar o suficiente para entender como o jogo realmente funciona.
Infelizmente, embora exista uma boa base por trás da experiência, Echoes of Aincrad sofre com problemas que aparecem logo nas primeiras horas e continuam presentes durante praticamente toda a campanha.
Um Aincrad bonito que convence pela atmosfera
Antes de falar dos problemas, preciso reconhecer aquilo que o jogo faz muito bem.
Visualmente, Echoes of Aincrad consegue transmitir a sensação de estar explorando o famoso castelo da franquia. Além disso, a direção artística valoriza cenários amplos, campos abertos, cidades bem construídas e masmorras que conseguem despertar curiosidade.

A iluminação também merece elogios. Em diversos momentos, caminhar pelos mapas durante o pôr do sol ou entrar em uma dungeon iluminada apenas por tochas cria uma atmosfera bastante agradável.
Da mesma forma, a trilha sonora acompanha esse clima de exploração sem exagerar. Ela permanece discreta durante boa parte da aventura, mas ajuda a construir a identidade do mundo.
Por isso, durante as primeiras horas, fiquei bastante empolgado com o que estava vendo.
O problema é que a beleza do cenário não consegue esconder os defeitos que aparecem conforme o tempo passa.
O ritmo lento é, disparado, o maior problema
Se existe um aspecto que resume minha experiência, é o ritmo extremamente lento.
Quase tudo demora mais do que deveria.
As missões frequentemente seguem a mesma estrutura, obrigando o jogador a atravessar mapas enormes apenas para conversar com um NPC ou eliminar poucos inimigos antes de repetir o processo novamente.

Além disso, muitos diálogos possuem pausas artificiais que deixam as conversas cansativas. Em vez de criar tensão, esses momentos acabam quebrando completamente o ritmo da narrativa.
Consequentemente, comecei a sentir que estava gastando mais tempo caminhando do que realmente jogando.
Mesmo depois de dezenas de horas, essa sensação praticamente não desapareceu.
A repetição se torna um problema constante
Outro fator que pesou bastante na minha avaliação foi a repetição.
Ao longo da campanha, visitei os mesmos locais inúmeras vezes. Além disso, enfrentei diversos inimigos conhecidos em situações muito parecidas.
Embora alguns mapas sejam visualmente interessantes, explorá-los novamente perde rapidamente o encanto.

Da mesma forma, os objetivos das missões raramente surpreendem. Em muitos casos, basta derrotar alguns monstros, retornar ao NPC e repetir exatamente a mesma fórmula.
Como resultado, senti que o jogo alonga artificialmente sua duração.
As minhas 40 horas pareceram bem maiores do que realmente foram.
O combate tem boas ideias, mas falta refinamento
O sistema de combate não é ruim.
Na verdade, existe uma boa base aqui.
As habilidades especiais funcionam bem, a administração dos recursos durante as batalhas cria decisões interessantes e experimentar diferentes armas traz alguma variedade.
Entretanto, vários problemas técnicos atrapalham bastante.

Durante minha jogatina, encontrei situações em que ataques dos inimigos acertavam mesmo quando pareciam estar longe do personagem.
Além disso, a câmera perde completamente o controle em alguns confrontos contra chefes maiores.
O sistema de mira fixa também não ajuda. Em diversas ocasiões, precisei lutar mais contra a câmera do que contra os próprios inimigos.
Portanto, apesar das boas ideias, a execução fica abaixo do esperado.
Evoluir demora demais para ser recompensador
Um RPG normalmente cria uma sensação constante de crescimento.
Aqui isso demora bastante para acontecer.
Nas primeiras dezenas de horas, investir pontos em atributos quase não muda a experiência durante o combate.

Além disso, como muitos inimigos acompanham sua evolução, a impressão é de que você nunca se torna realmente mais poderoso.
Somente depois de muito tempo comecei a perceber diferenças mais claras entre determinadas builds.
Entretanto, quando isso finalmente acontece, parte da motivação inicial já desapareceu.
Personalização existe, mas influencia menos do que deveria
Um dos principais atrativos de Echoes of Aincrad era permitir que cada jogador criasse seu próprio herói.
E, de fato, existem diversas opções de aparência, equipamentos e armas.
Além disso, gostei da possibilidade de experimentar diferentes estilos de combate.

No entanto, boa parte dessas escolhas acaba tendo um impacto menor do que eu esperava.
No início, várias armas parecem mudar apenas alguns números de dano.
Somente mais tarde aparecem diferenças realmente perceptíveis entre estilos mais rápidos ou mais pesados.
Mesmo assim, senti falta de uma identidade mais forte para cada tipo de arma.
O sistema de parceiros desperdiça uma ótima ideia
Outro recurso que parecia promissor era escolher diferentes companheiros para acompanhar a jornada.
Infelizmente, quase não percebi diferenças relevantes entre eles.

Embora cada parceiro possua características próprias, durante as batalhas eles acabam desempenhando funções muito semelhantes.
Por isso, minha escolha passou a ser muito mais estética do que estratégica.
Considerando o potencial desse sistema, esperava decisões mais importantes durante a campanha.
A história perde parte da tensão que tornou Sword Art Online tão marcante
Talvez minha maior decepção tenha sido a narrativa.
O universo de Sword Art Online sempre transmitiu uma sensação constante de perigo.
Afinal, morrer dentro daquele mundo deveria significar muito mais do que perder uma batalha.
Porém, em Echoes of Aincrad, essa urgência quase nunca aparece.

Diversos personagens reagem aos acontecimentos com uma tranquilidade que não combina com a situação.
Além disso, meu próprio protagonista praticamente permanece em silêncio durante toda a aventura.
Na maioria das cenas, ele apenas faz pequenos gestos enquanto os demais personagens conduzem toda a conversa.
Como consequência, tive dificuldade para criar uma conexão emocional com a história.
O modo Permadeath parece interessante no papel
A existência de um modo onde morrer significa perder todo o progresso combina perfeitamente com a proposta de Sword Art Online.
Contudo, na prática, não consegui enxergar diversão suficiente.
Como o jogo já possui deslocamentos longos, missões repetitivas e uma progressão lenta, perder dezenas de horas de evolução acaba parecendo apenas uma punição.
Se o ritmo fosse mais dinâmico, talvez essa modalidade funcionasse muito melhor.

Vale a pena jogar Echoes of Aincrad?
A resposta depende bastante das suas expectativas.
Se você é um grande fã de Sword Art Online e sempre quis explorar Aincrad com um personagem próprio, provavelmente encontrará motivos para continuar jogando.
Por outro lado, se espera um RPG moderno, com progressão constante, combates refinados e missões variadas, acredito que a experiência dificilmente atenderá às expectativas.
Durante minhas 40 horas, tive vários momentos em que enxerguei o enorme potencial do projeto.
Infelizmente, quase sempre surgia alguma decisão de design que quebrava esse entusiasmo pouco depois.
No fim das contas, a sensação que ficou foi a de uma excelente ideia que nunca alcança todo o seu potencial.
Veredito – 6,0/10
Depois de investir cerca de 40 horas em Echoes of Aincrad, saí com sentimentos mistos. Gostei da ambientação, da recriação de Aincrad e da liberdade para montar meu personagem. Entretanto, o ritmo extremamente lento, a repetição constante, a evolução demorada e alguns problemas técnicos impediram que eu aproveitasse a aventura como esperava.
Não considero o jogo um desastre, porque existe qualidade em vários de seus sistemas. Ainda assim, também não consigo recomendá-lo com entusiasmo. Para mim, ele representa uma oportunidade desperdiçada de entregar a experiência definitiva de Sword Art Online.
Prós
✔ Excelente ambientação de Aincrad
✔ Direção artística muito bonita
✔ Boa trilha sonora
✔ Personalização do personagem é ampla
✔ Sistema de combate possui boas ideias
Contras
✘ Ritmo extremamente lento
✘ Missões repetitivas
✘ Exploração pouco recompensadora
✘ Progressão demora para ficar interessante
✘ Sistema de parceiros tem pouco impacto
✘ Problemas de câmera e hitbox durante o combate
✘ História perde parte da tensão característica da franquia
✘ Protagonista mudo reduz a imersão
✘ Modo Permadeath acaba sendo mais frustrante do que divertido
Echoes of Aincrad recria bem o universo de Sword Art Online e oferece boas ideias de RPG. No entanto, a execução não acompanha a ambição do projeto. O ritmo arrastado, a repetição e as limitações de vários sistemas impedem que o jogo alcance o nível que sua proposta prometia. Para os fãs mais dedicados da franquia, ainda existe diversão. Porém, para a maioria dos jogadores, há opções muito mais envolventes dentro do gênero.
Informações adicionais
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Sistema onde foi feito a review: PS5
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Desenvolvedor: Game Studio, Bandai Namco Entertainment
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Jogadores: 1
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Plataformas disponíveis: PC, PlayStation 5 e Xbox Series X/S
Agradeço à Bandai Namco por fornecer o código para a produção deste review.
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